Nossa Senhora da Piedade

Entre as muitas denominações de Nossa Senhora, várias se referem aos sofrimentos que marcaram toda a sua vida: Nossa Senhora das Lágrimas, Nossa senhora da Soledade, Nossa Senhora da Saudade, Nossa Senhora da Piedade... Entre essas e outras invocações que salientam suas angústias, a mais ampla é, sem dúvida, a de Nossa Senhora das Dores.

Embora se procure acentuar sete momentos (as sete dores): a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus em Jerusalém, o encontro a caminho do Calvário, sua permanência ao pé da cruz, a contemplação do Salvador morto em seus braços (Nossa Senhora da Piedade, imortalizada pela escultura Pietà de MICHELANGELO), e o sepultamento de Jesus – esse título abrange muito mais: a cruz, como companheira inseparável de sua vida e missão. A devoção a Nossa Senhora das Dores já se encontra no século XI, mas difundiu-se com mais intensidade a partir do século XIV, devido ao zelo da Ordem dos Servitas. Desta época é a bela seqüência Stabat Mater (Estava a mãe dolorosa...) de Jacopone de Todi, Foi Bento XIII quem colocou a celebração no calendário romano e Pio X, em 1913, determinou que a festa se celebrasse no dia 15 de setembro, significativamente, no dia seguinte à festa da Exaltação da Santa Cruz.Esta devoção vem de uma tradição muito antiga que fala da dor de Maria ao encontrar seu Filho Jesus carregando sua cruz a caminho do Calvário. Esta tradição é relembrada na Via Sacra, na 4ª estação.

Nossa Senhora das Dores é também conhecida como Nossa Senhora da Piedade ou, ainda, a Mãe Dolorosa. É costume nas procissões da Sexta-Feira Santa fazer acompanhar a imagem do Senhor Morto pela imagem de Nossa Senhora das Dores, relembrando aquele encontro cheio de dor e compaixão.

Maria chorou por seu Filho inocente, que era levado à morte; e nos ensina, com sua dor, que também podemos suportar nossas dores. O coração ferido daquela mulher recebe e acolhe o coração de cada homem ou mulher que sofre. Maria sofre hoje ao ver tantos filhos e filhas ainda sendo levados à morte pela incoerência, violência e injustiça humanas. E como a mãe que acompanha o filho ao calvário, continua hoje a acompanhar a cada um de nós, ajudando-nos a suportar as nossas dores cotidianas, a secar nossos rostos, a acolher nossos corpos cansados.

 

 



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